Sabado 8/01/11 6:45 a.m.
Acordei com o resmungo do meu filhote Benjamin ; "Mamae, Bom dia!! Hora de mamar! Anda logo!"
Pulei da cama e comecei a minha rotina frenetica. Amamentei o Benjamin, dei papinha e tomei cafe e coloquei ele para brincar. De repente, ouvi ele fazer um servico na fralda entao ao inves de ir tomar banho, tive que dar um banho nele. Finalmente, consegui coloca-lo para brincar e quando olhei no relogio era quase 8. Tomei um banho voando, me vesti, arrumei o meu almoco, terminei de arrumar a bagunca que estava na pia da cozinha e coloquei o Benjamin para um soninho.
Quando a campainha tocou, abri a porta para nossos primos Bob e Linda que iam cuidar do Benjamin enquanto eu estivesse no trabalho. Ainda era 8:15 da manha e eu estava EXAUSTA. Tive que desabafar para o meus primos: "Hoje eu estou indo para o trabalho para descansar!"
Cheguei na redacao do Azcentral.com/The Arizona Republic/12 News no horario e comecei as minhas atividades no Twitter e Facebook. Por volta das 10:30 um editor que trabalha comigo recebeu um telefonema de uma pessoa desesperada dizendo que um tiroteio tinha acontecido em Tucson e que uma deputada estava morta.
Meu primeiro instinto foi ignorar e fazer de conta que nao era comigo. Por favor, me de um desconto, eu ainda estava tentando pegar meu folego. Mas em 5 segundos cai na real que a situacao era terrivel... de proporcoes gigantescas.
Foi exatemente ai que a loucura e a adrenalina se instalaram na nossa redacao. Os telefones comecaram a tocar, os
scanners policiais comecaram a berrar,os editores comecaram a gritar e muitos colegas comecaram a chegar. Em 15 minutos TODOS os jornalistas estavam a postos e NENHUMA mesa estava fazia... cada um no seu quadrado.
Alguns diziam que a deputada democrata Gabrielle Giffords estava morta .... eu nao me achei no direito de dar esta noticia. Mas foi por muito pouco que nao cometi este erro, pois um outro jornalista aqui na redacao disse que tinha falado com o gerente do mercado e que Giffords estava morta.
Eu so ouvia uma voz interna dizendo - "Cautela, Cautela!"
Aqui esta o que soltei no mundo virtual :"Um acidente acabou de acontecer em Tucson envolvendo a democrata Gabrielle Giffords."
Dali para frente, a montanha russa nao parou para que eu descesse. Meu editor estava viajando entao eu virei o editor. Recebemos uma avalanche de especulacoes, mas nada que desse para confiar. CNN, NPR e outros cairam na besteira de dizer que a deputada estava morta – so para terem o gostinho de serem os primeiros a soltarem a noticia.
Eu tive que parar por um minuto e dizer: "Tatiana, nao estressa. Voce e capaz! Concentre no seu trabalho, faca o que voce achar que e certo!" Depois que falei isto em voz alta a situacao ficou no meu controle. Nosso jornal foi um dos unicos que nao teve que se retratar por ter noticiado que a deputada estava morta.
Trabalhei das 9 da manha as 9 da noite com pouquissimas corridas ao banheiro - talvez 3. A minha bomba de leite materno ficou exatamente onde deixei, pois ir para o quarto de amamentacao nao era prioridade.
Mandei um torpedo para meu esposo: "Tragedia em Tucson. Nao posso te dar detalhes. Nao sei que horas estarei em casa. Cuide do Ben e se cuide."
Depois que o susto passou e a cobertura estava sob controle me dei conta dos fatos. Um garoto de 22 anos pega uma arma e atira ferindo 13 e matando 5.
Entrei em desespero. Pensei na criacao deste menino. Como foi a infancia? O que ele gostava de comer? Como os pais se sentiram no dia que ele nasceu? Como os pais estavam se sentindo neste dia tao tragico?
Lembrei do meu Ben e lembrei que sou mae. No meu intimo roguei a Deus que me desse sabedoria para criar o meu filho. De repente, ouvi uma voz baixa e doce dizer: " Eu vou te dar o que precisa, mas nesta caminhada, nao havera descanso."